Você com certeza já passou um dia inteiro com alguma música que não saía da cabeça. Logo cedo já entoava aquele refrão, que te perseguia o resto do dia. Às vezes nem é necessário ter ouvido a música, basta ver ou ouvir algo que a lembre, e em poucos instantes já estamos lá, com ela cravada na nossa mente. Esse fenômeno serviu para dar nome às músicas e melodias que grudam com mais facilidade e, essas, passaram a ser chamadas de “músicas chiclete”. Mas qual a razão disso acontecer? Por que será que as músicas chicletes grudam tanto no nosso cérebro? Vamos descobrir agora.

Esse acontecimento que irrita muita gente foi denominado como “earworm”, (traduzido como: “minhoca de ouvido”), pelo professor da Universidade de Cincinnati, James Kellaria. De acordo com suas pesquisas, esse fenômeno ocorre principalmente quando estamos distraídos, basta pensar repentinamente em uma música, principalmente em um refrão, para que ela fique com você por muito tempo. Portanto, o que se forma é uma coceira cerebral. Esse fenômeno foi estudado também por pesquisadores da universidade de Dartmouth, EUA, que selecionaram voluntários para ouvir diversas músicas enquanto seus cérebros eram monitorados, e o resultado foi incrível. A música era iniciada, e sem aviso era pausada, quando a melodia era conhecida do ouvinte, o córtex auditivo continuava funcionando e tentava finalizar a canção por muito tempo. Totalmente diferente do que acontece quando a música é desconhecida, no momento em que era paralisada, antes do fim, a mente ficava vazia, incompleta e, para preencher esse espaço, o cérebro começava a repetir o que tinha acabado de ouvir. Outro fator que pode influenciar diretamente nesse fenômeno está relacionado ao fato de as músicas serem multissensoriais, ou seja, quando ouvimos o ritmo e a letra adquirirmos sentimentos e emoções ligados à ela. Quando essas sensações ou ideias são lembradas, vem também partes dessas canções, esse processo é denominado de memória involuntária, e provavelmente já aconteceu com você.

A ciência ainda destaca um outro fator que pode ocasionar esse fenômeno e deixar uma música tocando horas em sua cabeça. O ambiente em que você se faz presente, uma ação que você está executando, nomes e pessoas, tudo isso pode te remeter a uma música. Para simplificar, vamos usar um exemplo: alguém te pergunta como você chegará à festa, e você responde: vou de táxi. Pronto, agora a canção “Vou de Táxi” ficará na sua cabeça por um bom tempo. Bom, e como fazer para dar fim a esse repetitivo incômodo? A ciência ainda não conhece exatamente como conseguir isso, mas já existem algumas técnicas que podem auxiliar na diminuição desse fenômeno. A mais comum é bem simples: ouça a música que está martelando em sua mente, se necessário mais de uma vez, assim seu cérebro receberá a informação completa, e dará como finalizado esse processo. Mas se mesmo assim a música persistir, troque-a por uma que lhe incomode menos. Isso mesmo, se a melodia que não sai da sua cabeça não te agrada em nada, ouça suas músicas favoritas, provavelmente algumas delas substituirá a outra, e ficará menos pior de suportar essa caixa de som mental.

Um outro método pouco conhecido – e bem inusitado – também é simples de ser executado: masque chiclete. É exatamente isso. Estudos realizados na Universidade de Reading, Inglaterra, afirmam que o ato de mastigar interfere diretamente na memória de curto prazo. Segundo o professor e autor da pesquisa, Phill Beaman, quando estamos tentando lembrar de uma canção, usamos os mesmos sistemas que usaríamos para cantar, falar e mastigar. O ato de mascar força essas regiões, e as deixam menos disponíveis para tentar relembrar a música que antes se fazia muito presente. Ler, assistir filmes e realizar atividades mais complexas também ajudam no combate a earworm. Esse fenômeno não causa nenhum problema direto a nossa saúde, o incomodo gerado por ele pode ocasionar em raiva ou pequenos estresses. O segredo é não se preocupar com as músicas, afinal, quem consegue viver sem elas? Aqui na Med One cada um tem sua playlist favorita, e a sua, qual é?

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